sexta-feira, 28 de agosto de 2015

O CHICOTE INVISÍVEL (A verdade a respeito dos BANCÁRIOS) HOMENAGEM AO DIA DOS BANCÁRIOS


Por Wagner Baldez (*)

O estalo é surdo, abafado, porém seu efeito é devastador, contundente! Sem dúvida bem pior do que o relho de couro cru, empregado na época da escravidão. 

Em tais circunstâncias, o tronco, disfarçadamente, é substituído pela cadeira polida, e a tanga do negro pela calça, paletó e gravata do branco. Trata-se, pois, de uma forma enganosa de aparentar ao público um convívio salutar e democrático entre partes envolvidas (patrões e empregados).

Vestígio algum de cicatriz jamais é visto no corpo. Já na alma, aludida presença assume conotações traumáticas, comprometendo, inclusive, o perfil psicológico das vítimas, ao ponto de consumir-lhes substancialmente a vontade em readquirir a liberdade tantas vezes tripudiadas. Tal a atmosfera de medo e pavor respirada neste ambiente hostil.
Mais do que simples vítimas, tornam-se escravos manipulados. Cultivar sentimentos de resignação é regra obrigatória. 

Parodiando provérbio popular, afirmam que “boca fechada não entra mosca”, ou quem muito fala, da bom-dia a cavalo!

Através dessas articulações vão eles administrando o comportamento de citadas criaturas com o intuito de emudecê-las.

O algoz encarregado da execução, demonstra conhecimento sobre a forma de manejar o instrumento de tortura.

Mediante este tipo de procedimento é oportuno esclarecer à população que o palco onde se desenrola essas tristes e desumanas cenas, têm como local os estabelecimentos bancários; sendo o BANCO DO BRASIL a matriz.

As dores provocadas pelas chicotadas começaram a ser sentidas a partir da pérfida campanha movida pelo Governo, numa tentativa de convencer a sociedade tratar-se a classe BANCÁRIA de verdadeiros “MARAJÁS”.

Logo após, esse mesmo governo, através das direções dos bancos, surge com uma proposta que ele, particularmente, sabia desastrosa: as tais das DEMISSÕES VOLUNTÁRIAS. Estas se constituíram num verdadeiro genocídio social. Até hoje aqueles que aderiram ao plano, vivem perambulando pelas ruas à procura de emprego...

O mais dramático é que, com a saída desses elementos, os quadros dessas instituições ficaram desfalcados; cabendo aos funcionários de outras carteiras a responsabilidade pela acumulação de respectivos serviços.

Mesmo assumindo novas obrigações, nenhuma vantagem financeira fora incorporada aos seus ativos, como forma de reconhecimento pelos esforços dispensados.

Logicamente que citadas improvisações acarretaram, também, algumas dificuldades às suas clientelas, privadas ultimamente de atendimento que evite perda de tempo em filas incomensuráveis.

Nas agências do interior, a situação se apresenta bem pior; existindo unidades com apenas três funcionários operando com um público numeroso. Limite reservado para horário de trabalho não existe: é assunto ou norma desconhecida.

Completando a nomenclatura de sofrimentos por que passam esses bancários, uma outra preocupação, talvez a maior delas, seja a dúvida quanto à garantia no emprego. Esta, realmente, tornou-se insuportável, levando-os ao estresse a maioria dos que dependem materialmente desse emprego. Afora todos esses percalços, comporta incluirmos as questões da privatização e terceirização, igualmente asfixiantes.

Infelizmente, assim se constitui à atual vida funcional dos bancários. Bem diferente, portanto, dos tempos em que se orgulhavam de pertencer a uma categoria prestigiada: e não escravos a gemer sob o peso das injustiças cometidas por uma horda de miseráveis banqueiros, que, manobrando o seu chicote invisível, dominam e submetem a mais sórdida exploração os filhos desta modernizada SENZALA denominada BRASIL!!!



(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Executiva Estadual do PSOL/MA