quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Artigo Wagner Baldez: A MÍDIA MANIPULADA




Por Wagner Baldez (*)

Hoje, me dispus, com o maior empenho e satisfação, tratar da greve do Judiciário Federal; já que a mídia se omite, propositadamente, embora tenha como compromisso e função precípua noticiar os fatos de interesse público; sobretudo pela importância social e política que o ATO representa, a exemplo do citado movimento paredista, realizado em Brasília.

Tal procedimento restringe-se no desejo de satisfazer aos interesses das classes dominantes e, por extensão, do Poder Executivo; delas tornando-se submissa!

Se uma classe ou categoria recorre, à guisa de socorro ao movimento grevista, é por uma questão de não dispor de outro mecanismo ou instrumento que venha fazer jus às suas aspirações...

Geralmente os governos tripudiam sobre quaisquer que sejam as reivindicações postuladas pela classe trabalhadora, mormente a do funcionalismo federal: ao ponto de não cumprirem os mais elementares compromissos, como vem de ser o caso dos acordos firmados entre as partes; inclusive protelando sucessivamente o pedido de renegociação; cuja finalidade implica em resolver o quanto antes e definitivamente o impasse criado pelo próprio governo.

O que temos assistido é um governo dispersivo e insensível na maneira de agir sobre o trato da referida questão; procurando, através da mídia, espaço para fomentar uma sórdida campanha, com a finalidade de convencer a população de que a remuneração dos servidores federais estão bem acima do mínimo!

Entretanto, aludido argumento usado pelo governo não serve de parâmetro para avaliar desigualdade remunerativa; levando em consideração a formação ou valorização técnica exigida para o exercício do cargo, tendo o servidor, por força de lei, submeter-se a concurso público.

Todos os males acontecidos neste país é de inteira responsabilidade dos Poderes; porém ao funcionalismo é atribuída a culpa.

Já no tempo do calhorda do FERNANDO HENRIQUE os servidores públicos eram tratados ostensivamente de VAGABUNDOS! Repetindo outros insultos do governo do cabotino COLLOR DE MELO, quando qualificou-os de MARAJÁS!

Torna-se importante o público tomar conhecimento da verdade: o real motivo da greve decorre do fato do governo se negar a cumprir um direito Constitucional, ou seja, a Reposição Salarial desde 2006, cuja demora vem prejudicando de forma brutal o orçamento dos trabalhadores do judiciário.

O que se torna lamentável, repetimos, é a posição mantida, particularmente grave, pela mídia, quando sequer divulga algo a respeito de tão significativo evento, cujo movimento vem reunindo milhares de servidores vindo de todas as partes do Brasil e concentrados na Praça dos Três Poderes, numa ação empolgante e memorável! cuja carga de emoção estende sua chama contaminando a alma da brasilidade; os quais, compreendendo o sentido da luta, passaram à apoiá-la.

Essa ação movida pelos trabalhadores do Judiciário Federal, por certo servirá de exemplo para a CONDSEF, FINISEF e CUT – Entidades catalisadoras dos interesses das classes a elas filiadas – que, ao invés de mobilizarem suas lideranças em apoio ao movimento paredista, resolveram, isto sim, instalar-se de maneira covarde e traiçoeiramente no PORÃO DO PALÁCIO DO PLANALTO, aguardando as ordens da Presidenta como deveriam se comportar...

Observando os efeitos do movimento, me assoma à mente o seguinte fato, o qual se tornou hospede das minhas lembranças. Certa vez, falando na ONU, o líder Palestino Yasser Arafat, ao encerrar o seu lapidar discurso de ressonância universal, sentenciara: “A JUSTIÇA DA CAUSA DETERMINA O DIREITO DE LUTA”.


AVANTE! pugilos de bravos e obstinados servidores públicos! ATÉ A CONSUMAÇÃO DA VITÓRIA!!!


(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Executiva Estadual do PSOL/MA

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Artigo Wagner Baldez: PACTO OU IMPACTO (Parte II)



Por Wagner Baldez (*)

Concluída a intercalação, onde os fatos inseridos funcionaram como objeto de predominante significação histórica; inclusive enriquecendo o texto como forma de justificar a semelhança entre a série de acontecimentos consumados no passado e cujo enredo vem se repetindo no presente. Agora, cabe-nos dar continuidade às narrações, as quais, certamente, despertará algum interesse da parte do leitor.

Pois bem, naquelas alturas, inusitadamente, um dos teóricos do grupo sai com a seguinte sugestão:

- “Companheiros, a fim de darmos substancial suporte às nossas pretensões, torna-se necessário capitalizarmos a simpatia e o apoio das classes sociais média e alta, convidando-as a comparecerem ao evento exclusivamente dedicado à citada elite.

Proposição que obteve o consenso dos demais.

O local seria o TEATRO ARTUR AZEVEDO, tradicional Casa de Cultura de nossa cidade. Na data previamente marcada, para lá se destinaram uma aluvião de pessoas de escol, lotando o espaço físico do referido estabelecimento: o que dava aos promotores a notória impressão de absoluto sucesso!

Ao iniciar os trabalhos, coube a JOSÉ REINALDO, ELIZIANE GAMA e MÁRCIO JERRY a função de expositores do que seria o PACTO... O silêncio era profundo, o que demonstrava o comportamento educado dos participantes!

Encerrado o último ATO DA FALSA COMÉDIA, despedindo-se da seleta assistência com o tradicional gesto de agradecimento, eis que da platéia, surpreendentemente, começa os estridentes assobios e o ensaiar das vaias, denunciando completa insatisfação contra tudo o que fora dito... Rapidamente o PANO DE BOCA baixa, dando a ideia de proteger ou ocultar os ATORES; ao mesmo tempo em que as luzes da ribalta se apagam com as demais luminárias, deixando o ambiente na mais completa escuridão.

Porém tal ação não impediu que a multidão – a essas alturas irritadíssima – permanecesse vaiando; e aos gritos, xingavam:

- TRAIDORES! INSENSATOS! MISERÁVEIS TRAPACEIROS! ABAIXO COM ESSE INSOLENTE E MÓRBIDO PACTO!

As pessoas que transitavam pelas vias adjacentes ao Teatro, ao ouvirem a gritaria em forma de protesto, dispuseram-se a fazer coro numa demonstração de apoio!

O mais sensacional de todos esses dramáticos espetáculos é que a maioria das pessoas que compareceu pertencia, na escala social, à classe baixa, se passando por membros das camadas privilegiadas, socialmente. Para o êxito dessa genial empreitada, usaram de seus mais impecáveis trajes, reservados para os dias de gala: terno de casimira azul marinho, peitoral branco e gravatinha de borboleta. Já os idosos recorreram ao uso das bengalas, numa postura elegante de chamar atenção, principalmente pela semelhança de um lord inglês! As mulheres se apresentaram bem paramentadas: chapéu, leque, vestidos longos e bem perfumadas, além do uso das jóias; o que dava a real aparência de verdadeiras damas da sociedade!

Refugiados no camarim, ELIZIANE GAMA, aos prantos, acusava o PACTO de comprometer sua futura eleição!... MÁRCIO JERRY, com as mãos trêmulas, tentava acalmá-la: 

- ELIZINHA, tais percalços fazem parte dos ossos do ofício, e não te esqueças que o maranhense tem a memória curta. Tão logo cairá no esquecimento. Do lado oposto aos companheiros, JOSÉ REINALDO, com a fisionomia cambiante, inclusive com diapasão de voz um tanto imperceptível, repetia:

- “O PACTO FOI-SE DE ÁGUAS ABAIXO! QUANTA DECEPÇÃO!!!”


RESUMINDO: não compreenderam tratar-se da vingança de um povo, reiteradamente espoliado em seus legítimos direitos! 


(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Executiva Estadual do PSOL/MA

domingo, 6 de setembro de 2015

100 DIAS DE GREVE NAS UNIVERSIDADES FEDERAIS

Entre as duas campanhas, qualquer semelhança não é mera coincidência


Franklin Douglas (*) 

A greve nas universidades federais completou, nesta semana que passou, 100 dias de paralisação. Com poucos dias a menos que os técnicos-administrativos em educação, os professores também mantêm o movimento paredista. Na UFRJ, a greve chegou a ser decretada até por estudantes. A greve nas universidades federais evidencia dois fatos: o engodo do lema do governo federal PÁTRIA EDUCADORA; e, no plano local, o fim de uma alardeada capacidade gerencial do reitor Natalino Salgado.
No plano federal, a “presidenta” que ganhou a eleição, em outubro de 2014, não foi a que tomou posse, em janeiro de 2015. O programa trazido ao Planalto não foi o anunciado na campanha; o ministro da Economia, um gerente do capital financeiro, não foi o que se prometeu no pleito; o lema PÁTRIA EDUCADORA não passou de uma peça de marketing para ofuscar outro já inalcançado, PAÍS RICO É PAÍS SEM POBREZA. Nem a pobreza acabou, nem a educação tornou-se uma prioridade da Pátria, com Dilma Rousseff.
Eis o motivo da crise nas universidades federais: o governo optou pelo pagamento dos juros da dívida; o governo preferiu aumentar a taxa de juros; o governou optou pelos ricos, em seu segundo mandato!
E na lógica dos ricos, educação de qualidade é para poucos dos seus. Aos demais, basta um curso profissionalizante no PRONATEC! Nada de pensar crítico, de formação cultural sólida. No Brasil, parece que ainda estamos nos tempos da formação do trabalhador à moda do apertar parafusos, como satirizou Charles Chaplin, em seu filme “Tempos Modernos”.
Se a crise no país é econômica e de gestão, na UFMA, a crise é, sobretudo, de gestão. A principal crise na UFMA é da reputação do reitor, de sua imagem como gestor público e seu legado naquela universidade.
Antes de trombetear em toda a mídia a crise da UFMA, Natalino, em 12 dias de campanha, para eleger sua sucessora à reitoria, não falava em crise. Ao contrário, vendia uma UFMA dos sonhos: prometia um Restaurante Universitário em dois andares; Centros de Estudos climatizados, a exemplo dos Centros de Ciências Sociais-CCSo e de Ciências Humanas-CCH (onde há turmas cujo calor das 14 horas, e os mosquitos à noite, torna sofrível qualquer aula); garantia a reforma dos campi do continente; estruturaria os cursos de Medicina, em Pinheiro, e o BCT, em São Luís... tudo conversa fiada! Passada a eleição, a coisa mudou da água para o vinho!
Qualquer semelhança entre a campanha de Lula para Dilma e de Natalino para Nair não é mera coincidência! Foram forjadas num plano fora da realidade.
Lulista até o último fio de cabelo (nos tempos bons do lulo-petismo!), embora com raízes no PSDB, o reitor Salgado não trastejou em cuspir no prato que comeu. Em coletiva com a imprensa, colocou toda a culpa da crise da UFMA na crise do governo federal. Muito fácil!
Expôs os cortes na receita orçamentária, mas não tornou público onde estão suas despesas e a quem deve. A crise da reitoria é a crise de demissão entre os terceirizados? Faltou dizer que boa parte deles é empregada sob o clientelismo, e não por concurso público... Faltou recurso para concluir as obras? Deixou de dizer que, só para o prédio de Odontologia, foi disponibilizado, já após a anunciada crise, um adicional de mais um milhão de reais para terminar um prédio para o qual já recebeu recurso suficiente para ter concluído... Não disse se cortou as verbas de viagens e diárias da administração da UFMA...
Como na fábula recontada por Jean de La Fontaine, “A Cigarra e a Formiga”, ao invés de se preparar para os “tempos difíceis do inverno”, a Cigarra da UFMA preferiu cantar a si própria na mídia local, nos “tempos fáceis do verão”.
Da situação calamitosa da UFMA, resta uma das duas opções ao quase ex-reitor: (1) ou faltou competência para prever a situação econômica de arrocho; (2) ou gastou mal o que não tinha. Em qualquer das hipóteses: foi-se a imagem de bom administrador! Eis a verdadeira crise temida por Salgado.
NEM A “AGENDA BRASIL” DE RENAN-LEVY, NEM A “AGENDA SALGADA” DE SAÍDA DA CRISE INTERESSAM PARA A VERDADEIRA DEFESA DA EDUCAÇÃO PÚBLICA E DA UFMA.

Nesses 100 dias de greve, é para essa situação que técnicos e docentes têm buscado, a todo momento, chamar a atenção da sociedade. Anestesiados pelo marketing eleitoral e pela interdição do debate dentro e fora da UFMA, a comunidade não se apercebeu do que acontecia. Agora, sobressaltados com a realidade, só resta uma saída para que a greve não chegue a 200 dias de paralisação: ampliar o apoio à defesa da universidade pública e aos professores e técnicos, exigindo do governo federal proposta concreta ao movimento e do ainda reitor da UFMA que abra sua planilha de despesas à sociedade. NEGOCIAÇÃO SÉRIA E TRANSPARÊNCIA: LÁ E CÁ!

(*)  Franklin Douglas - jornalista e professor, doutorando em Políticas Públicas (UFMA)

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Pacto ou impacto? (parte I)



Por Wagner Baldez (*)

Profundamente inconformado com a ideia do PACTO – logicamente, o  mesmo acontecendo com a grande maioria do eleitorado – volto a tratar do assunto, a fim de acrescentar alguns detalhes suscetíveis de acontecer, como veremos mais adiante.

Para quem há várias décadas vem participando das lutas políticas contra a permanência da dominação SARNEYSISTA em nosso Estado, considero inaceitável e revoltante conviver com situação de tal natureza! Ainda mais, repetimos, quando se trata de alguém cujo procedimento até bem pouco tempo era estigmatizado por esses mesmos que atualmente os distinguem como um político sem jaça, inclusive sabendo ter sido ele o principal protagonista a deixar o Maranhão de MULETAS, completamente imobilizado!

Atitude do tipo proposto pelo PACTO nos faz recordar um ditado muito em voga, repetido pelos nossos avós, quando o fato acontecia com alguém que, astuciosamente, ocultava algum interesse pessoal: “CUIDADO QUE NESSE PAU TEM JACUTINGA...”

Em aludida circunstância, alguma vantagem deve existir a favor dos articuladores do PACTO...

Partindo dessa premissa, quem será a pessoa indicada para compor a chapa com Sarney? Apesar de suplente de Senador ser um cargo anódino, mas nessa situação, a vantagem existente se prende ao fato do titular da cadeira já ter alcançado idade bastante avançada: particularidade que vem de aumentar a expectativa nutrida pelo suplente... Essa é a verdade inquestionável!

Mudando de “PAU PRA CACETE”, como diz o caboclo da ilha, passaremos a tratar de alguns assuntos, já que os mesmos mantêm estreitas relações com as situações anteriormente comentadas.

Historicamente, sempre aconteceu no Maranhão casos comprometidos com pérfidas traições!

Em assim sendo, comecemos por Lázaro de Melo traindo o seu padrinho Manoel Beckman! Logo após vem, para a vergonha dos maranhenses, o ato discrepante de responsabilidade da elite dominante – constituída na sua maioria por abastados comerciantes portugueses – ao receberem JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS, como sendo um cidadão honrado, quando na realidade fora ele o traidor da INCONFIDÊNCIA MINEIRA. Ao mesmo disponibilizaram total segurança e domicílio, além de tanto outros privilégios: o que não aconteceu nos demais estados, os quais recusaram recebê-lo.

As homenagens prestadas foram tantas ao ponto de conceder-lhe sepultura na igreja de SÃO JOÃO; assunto ocultado até os dias atuais. Quem sabe se ainda não veio a receber, postumamente, a patente de SANTO SILVÉRIO DOS REIS MARANHÃO?!... Particularidade que não há porque desprezar...

A história nos dá conta, também, da traição sofrida pelos BALAIOS, tendo como autores os próprios BEM-TE-VIS, seus aliados. Apenas Estevam Rafael e João Lisboa não se deixaram inebriar pelas atraentes propostas oferecidas pelo novo governador PIRES DE CAMARGO!
Uma outra traição gestada, se deu quando o Presidente Juscelino se comprometeu que o Ministério da Agricultura seria ocupado pela pessoa indicada pelo governador Newton Belo, caso elegessem ASSIS CHATEAUBRIAND para o Senado da República; trato que não foi cumprido por parte do Presidente.

Já no avião, o DR TANCREDO NEVES, como emissário do governo para tratar das bases do acordo, comentava com seu assessor: “Mais uma vez o Maranhão será vítima de traição”!

Contudo, ainda que reunindo todos esses casos de felonia, não chega a se comparar com o famigerado PACTO!!!

(Continua no próximo artigo)


(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Executiva Estadual do PSOL/MA