sexta-feira, 11 de setembro de 2015

Artigo Wagner Baldez: PACTO OU IMPACTO (Parte II)



Por Wagner Baldez (*)

Concluída a intercalação, onde os fatos inseridos funcionaram como objeto de predominante significação histórica; inclusive enriquecendo o texto como forma de justificar a semelhança entre a série de acontecimentos consumados no passado e cujo enredo vem se repetindo no presente. Agora, cabe-nos dar continuidade às narrações, as quais, certamente, despertará algum interesse da parte do leitor.

Pois bem, naquelas alturas, inusitadamente, um dos teóricos do grupo sai com a seguinte sugestão:

- “Companheiros, a fim de darmos substancial suporte às nossas pretensões, torna-se necessário capitalizarmos a simpatia e o apoio das classes sociais média e alta, convidando-as a comparecerem ao evento exclusivamente dedicado à citada elite.

Proposição que obteve o consenso dos demais.

O local seria o TEATRO ARTUR AZEVEDO, tradicional Casa de Cultura de nossa cidade. Na data previamente marcada, para lá se destinaram uma aluvião de pessoas de escol, lotando o espaço físico do referido estabelecimento: o que dava aos promotores a notória impressão de absoluto sucesso!

Ao iniciar os trabalhos, coube a JOSÉ REINALDO, ELIZIANE GAMA e MÁRCIO JERRY a função de expositores do que seria o PACTO... O silêncio era profundo, o que demonstrava o comportamento educado dos participantes!

Encerrado o último ATO DA FALSA COMÉDIA, despedindo-se da seleta assistência com o tradicional gesto de agradecimento, eis que da platéia, surpreendentemente, começa os estridentes assobios e o ensaiar das vaias, denunciando completa insatisfação contra tudo o que fora dito... Rapidamente o PANO DE BOCA baixa, dando a ideia de proteger ou ocultar os ATORES; ao mesmo tempo em que as luzes da ribalta se apagam com as demais luminárias, deixando o ambiente na mais completa escuridão.

Porém tal ação não impediu que a multidão – a essas alturas irritadíssima – permanecesse vaiando; e aos gritos, xingavam:

- TRAIDORES! INSENSATOS! MISERÁVEIS TRAPACEIROS! ABAIXO COM ESSE INSOLENTE E MÓRBIDO PACTO!

As pessoas que transitavam pelas vias adjacentes ao Teatro, ao ouvirem a gritaria em forma de protesto, dispuseram-se a fazer coro numa demonstração de apoio!

O mais sensacional de todos esses dramáticos espetáculos é que a maioria das pessoas que compareceu pertencia, na escala social, à classe baixa, se passando por membros das camadas privilegiadas, socialmente. Para o êxito dessa genial empreitada, usaram de seus mais impecáveis trajes, reservados para os dias de gala: terno de casimira azul marinho, peitoral branco e gravatinha de borboleta. Já os idosos recorreram ao uso das bengalas, numa postura elegante de chamar atenção, principalmente pela semelhança de um lord inglês! As mulheres se apresentaram bem paramentadas: chapéu, leque, vestidos longos e bem perfumadas, além do uso das jóias; o que dava a real aparência de verdadeiras damas da sociedade!

Refugiados no camarim, ELIZIANE GAMA, aos prantos, acusava o PACTO de comprometer sua futura eleição!... MÁRCIO JERRY, com as mãos trêmulas, tentava acalmá-la: 

- ELIZINHA, tais percalços fazem parte dos ossos do ofício, e não te esqueças que o maranhense tem a memória curta. Tão logo cairá no esquecimento. Do lado oposto aos companheiros, JOSÉ REINALDO, com a fisionomia cambiante, inclusive com diapasão de voz um tanto imperceptível, repetia:

- “O PACTO FOI-SE DE ÁGUAS ABAIXO! QUANTA DECEPÇÃO!!!”


RESUMINDO: não compreenderam tratar-se da vingança de um povo, reiteradamente espoliado em seus legítimos direitos! 


(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Executiva Estadual do PSOL/MA