quarta-feira, 2 de setembro de 2015

Pacto ou impacto? (parte I)



Por Wagner Baldez (*)

Profundamente inconformado com a ideia do PACTO – logicamente, o  mesmo acontecendo com a grande maioria do eleitorado – volto a tratar do assunto, a fim de acrescentar alguns detalhes suscetíveis de acontecer, como veremos mais adiante.

Para quem há várias décadas vem participando das lutas políticas contra a permanência da dominação SARNEYSISTA em nosso Estado, considero inaceitável e revoltante conviver com situação de tal natureza! Ainda mais, repetimos, quando se trata de alguém cujo procedimento até bem pouco tempo era estigmatizado por esses mesmos que atualmente os distinguem como um político sem jaça, inclusive sabendo ter sido ele o principal protagonista a deixar o Maranhão de MULETAS, completamente imobilizado!

Atitude do tipo proposto pelo PACTO nos faz recordar um ditado muito em voga, repetido pelos nossos avós, quando o fato acontecia com alguém que, astuciosamente, ocultava algum interesse pessoal: “CUIDADO QUE NESSE PAU TEM JACUTINGA...”

Em aludida circunstância, alguma vantagem deve existir a favor dos articuladores do PACTO...

Partindo dessa premissa, quem será a pessoa indicada para compor a chapa com Sarney? Apesar de suplente de Senador ser um cargo anódino, mas nessa situação, a vantagem existente se prende ao fato do titular da cadeira já ter alcançado idade bastante avançada: particularidade que vem de aumentar a expectativa nutrida pelo suplente... Essa é a verdade inquestionável!

Mudando de “PAU PRA CACETE”, como diz o caboclo da ilha, passaremos a tratar de alguns assuntos, já que os mesmos mantêm estreitas relações com as situações anteriormente comentadas.

Historicamente, sempre aconteceu no Maranhão casos comprometidos com pérfidas traições!

Em assim sendo, comecemos por Lázaro de Melo traindo o seu padrinho Manoel Beckman! Logo após vem, para a vergonha dos maranhenses, o ato discrepante de responsabilidade da elite dominante – constituída na sua maioria por abastados comerciantes portugueses – ao receberem JOAQUIM SILVÉRIO DOS REIS, como sendo um cidadão honrado, quando na realidade fora ele o traidor da INCONFIDÊNCIA MINEIRA. Ao mesmo disponibilizaram total segurança e domicílio, além de tanto outros privilégios: o que não aconteceu nos demais estados, os quais recusaram recebê-lo.

As homenagens prestadas foram tantas ao ponto de conceder-lhe sepultura na igreja de SÃO JOÃO; assunto ocultado até os dias atuais. Quem sabe se ainda não veio a receber, postumamente, a patente de SANTO SILVÉRIO DOS REIS MARANHÃO?!... Particularidade que não há porque desprezar...

A história nos dá conta, também, da traição sofrida pelos BALAIOS, tendo como autores os próprios BEM-TE-VIS, seus aliados. Apenas Estevam Rafael e João Lisboa não se deixaram inebriar pelas atraentes propostas oferecidas pelo novo governador PIRES DE CAMARGO!
Uma outra traição gestada, se deu quando o Presidente Juscelino se comprometeu que o Ministério da Agricultura seria ocupado pela pessoa indicada pelo governador Newton Belo, caso elegessem ASSIS CHATEAUBRIAND para o Senado da República; trato que não foi cumprido por parte do Presidente.

Já no avião, o DR TANCREDO NEVES, como emissário do governo para tratar das bases do acordo, comentava com seu assessor: “Mais uma vez o Maranhão será vítima de traição”!

Contudo, ainda que reunindo todos esses casos de felonia, não chega a se comparar com o famigerado PACTO!!!

(Continua no próximo artigo)


(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Executiva Estadual do PSOL/MA