domingo, 20 de dezembro de 2015

Artigo Wagner Baldez: O NATAL EM CAÇULÂNDIA

Por Wagner Baldez (*)

Bem poucos os locais onde a celebração do Natal se comparasse como os realizados no CAÇULÂNDIA!

Para melhor entendimento dos leitores, Caçulândia é o nome do Sítio da família Sousa Baldez, localizado, há mais de um século, no povoado denominado Ambude, pertencente à Alegria, distrito do Maracanã: região essa que faz parte da bacia do Bacanga.

Era lá que as quatro famílias – SOUSA BALDEZ, RIBEIRO BALDEZ, CUNHA BALDEZ e MENDES BALDEZ – se reúnem nas temporadas de férias escolares da garotada, acontecidas em junho e no período de final de ano, principalmente.

Aproximadamente 80 pessoas faziam parte do grupo. A satisfação experimentada nesse recanto, dava-nos a certeza de que as nossas vidas tornaram-se um eterno amanhecer! Já que se imaginava ser mencionado ambiente uma fonte de ternura e prazer, tal harmonia existente!

Havia uma tradição oral, passada de geração a geração, de que esse local servia de refúgio às mãe d’águas e outros seres fantásticos, popularmente chamados de encantados.
A natureza foi pródiga com a geografia desse pedaço de chão!

Um dos componentes que contribuíam para tornar o cenário paradisíaco era o riacho com suas águas lustrais que passa pelo fundo do sítio, em cujas margens, chamadas de brejo, prosperavam extensos juçarais e buritizais!

Justamente nesse templo ecológico onde a festividade do Natal era comemorado.

Após nos divertirmos bastante durante a maior parte do tempo, se aproximava a ocasião de interrompermos as brincadeiras para auxiliar na preparação dos festejos.

Por tradição, o espaço ocupado era o terreiro da casa, onde a concentração se realizava a céu aberto, sob o pálio das estrelas a enfeitar aquela mágica noitada!

Tão logo concluídos os preparativos, a turma, já banhada e de vestuário trocado, aguardava o início da programação, a partir das 20 horas até à meia noite.

Nesse intervalo alguns dos companheiros, como Clóvis Bernardes e Clóvis Vieira, resolviam contar algumas piadas, que tanto nos divertiam.

Nessa particularidade, a presença de SINHÁ DE CUNHA, como era conhecida na intimidade, tornava-se indispensável, por levar o pessoal ao delírio com seu repertório abastecido por fluídos um tanto obscenos, mas aceito unanimemente!

MEIA NOITE! O momento mais esperado chegava... Com profunda satisfação, apreciávamos as vozes das irmãs DORA, MEMÉ e CLEIDE cantando músicas sacras, acompanhadas por MEMECO, TUNICO TELES, no violão, e EUZEMAR, no violino, cujos acordes acromáticos a todos extasiava!

Tão logo encerrado o Ato em homenagem ao menino Jesus, principiava a ceia, constando de chocolate, bolo de tapioca, bolo de macaxeira, beiju: iguarias assadas no forno de barro aquecido à lenha.

Então, após referida etapa, seria a vez da serenata, com GLACY cantando sua música predileta: morena boca de ouro; o mesmo acontecendo com Clóvis Vieira interpretando a canção de sua paixão: noite enluarada.

Anunciando o romper do dia, siricora no brejo soltava seus primeiros cantos “três pote, três pote... pote, pote, pote”; enquanto o galo entoava o seu “co-cori-cóó”, escutado à distância, tal a força de sua garganta! Diante de tais anúncios, só nos restava o necessário e aconchegante repouso...


Inspirados nessas saudosas e agradáveis recordações, elegemos o Caçulândia, A METROPOLE DOS NOSSOS SONHOS.


(*) Wagner Baldez - Servidor Público Aposentado, membro do Comitê de Defesa da Ilha, um dos fundadores do Instituto Maria Aragão. Integra a Executiva Estadual do PSOL/MA